“Se ressuscitastes com Cristo, procurai o que é do alto!”

Caríssimos irmãos e irmãs,

Se quiséssemos adivinhar o que Mãezinha desejaria e aconselharia para nós na Páscoa, certamente seria este versículo de São Paulo. O fundamento para afirmarmos isto é sua postura de vida. Mãezinha era (é!) um ser para a eternidade! Esta é sua antropologia existencial, se assim podemos nos expressar.

Diante disto, muitos poderão suspeitar: “Então, ela era uma monja – e calha muito bem com a noção que comumente se tem de monja! – “boiando” na realidade, sempre de mãos postas, suspirando pelo Céu!”... Os fatos desmentem esta suposição.

Mãezinha tinha, sim, o coração em Deus e uma claríssima consciência de que nossa vida não termina aqui, mas tem sua plenitude na eternidade. No entanto, isto não a impediu de fazer a fundação do Carmelo de Pouso Alegre; de se multiplicar para atender a todas as necessidades da incipiente fundação, principalmente quando as outras fundadoras retornaram ao seu Carmelo de origem; de construir, ao longo de 30 anos, sem fundos, o belo mosteiro em que hoje vivemos; de estar a par de preços, qualidade de materiais, as máquinas mais modernas para costura; de médicos e tratamentos para suas filhas; de criação de galinhas, porcos e gansos; de tipos de flores e árvores para o quintal; do que acontecia na Igreja e seus documentos mais recentes; das leis previdenciárias, trabalhistas e eleitorais. Isto, para não dizer de sua missão de aconselhamento a casais, monjas, médicos, advogados, empresários...

E relembramos tudo isto aqui, no início do tempo pascal, para que nós também façamos uma “páscoa”, isto é, passagem:

- da dicotomia entre fé e vida: a velha ideia de que “na igreja eu rezo”, e fora, vivo como a cultura vigente – individualista, hedonista, consumista, de um ateísmo silencioso e prático – exige de mim;

- ou da quebra do paradigma de que para se ter uma vida espiritual intensa, é necessário sossego e não ter problemas.

Cristão é outro cristo, em todas as dimensões e circunstâncias da vida humana. Pois, se vivemos como Ele, ressuscitaremos como Ele! (Cf. Rm 6,1-10);

Feliz Páscoa, na comunhão de vida com Aquele que “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5)!

Irmãs Carmelitas

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