A Ordem do Carmelo

A Ordem do Carmelo

1- Como surgiu o Carmelo?

O Carmelo surgiu com o movimento das Cruzadas. Muitos europeus, fascinados pela beleza e pela mística do Monte Carmelo, na Palestina, trocaram as honras do mundo pelo hábito religioso, e fizeram-se eremitas, inspirados na figura do profeta Elias. Ali, num local mais ou menos equidistante das várias ermidas, construíram uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora, de onde surgiu o título “Nossa Senhora do Monte Carmelo”.

Buscavam viver em obséquio de Jesus Cristo, servindo-O com todo o coração e com todas as forças, numa vida predominantemente contemplativa.

Com a perseguição dos sarracenos, foram obrigados a voltar para a Europa, onde, por sua pobreza e estilo de vida bem atípico, foram perseguidos, até mesmo em relação ao seu nome: “Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”. Ameaçados de extinção, sem nenhum apoio humano, o Superior Geral da Ordem, Simão Stock, rezava, pedindo o auxílio de Nossa Senhora, que lhe apareceu, prometendo-lhe proteção e dando como sinal de seu auxílio materno o escapulário. Realmente, as perseguições cessaram, a Ordem cresceu, adaptando-se às exigências de tempo e lugar, e no séc. surgiu o ramo feminino da Ordem.

No séc. XVI, dentro do movimento da Contra-Reforma, Teresa de Jesus, em Ávila – Espanha – reforma o primeiro Carmelo, buscando viver com mais autenticidade numa época de tantas perplexidades, desorientações e desvios. “Filha da Igreja”, como ela se gloriava em seu leito de morte, amou-a profundamente, e procurou simplesmente ser “amiga forte de Jesus”, e “viver com todas as forças o seu Evangelho”. Assim surgiu o Carmelo Descalço, reforma esta que se estendeu ao ramo masculino, com a ajuda de São João da Cruz

 

2- Como resumir a vida do Carmelo, hoje?

O Carmelo Descalço masculino – os frades – dedica-se à oração e à pastoral, numa vida fraterna. O Carmelo Descalço feminino – as monjas – dedica-se exclusivamente à oração, numa vida simples e fraterna. Por sua consagração, as monjas seguem mais de perto a forma de vida que escolheu para si o Filho de Deus, nos 30 anos passados em Nazaré, estilo simples, silencioso e escondido aos olhos do mundo, que também sua Mãe abraçou. Vivem somente para Deus, amado sobre todas as coisas, e unem-se de maneira especial à Igreja e a seu mistério.

 

3- Qual a proposta para o mundo através do carisma do Carmelo?

O carisma do Carmelo é a oração, a união com Deus no cotidiano, na convivência fraterna, no trabalho, e nos momentos fortes de oração contemplativa e na vivência dos sacramentos, em especial da Eucaristia, participada cotidianamente.

O Carmelo fala com a vida, e não com palavras. Proclama silenciosamente a necessidade da oração – relacionamento com Deus – que deve dar forma e orientação a todas as nossas ações. Afirma que temos necessidade de Deus, de alimentar-nos Dele na Eucaristia, de assumirmos na fé o seu projeto de vida e vida em plenitude para todos e cada um. Sustenta que é no amor aos irmãos que provamos nosso amor a Deus, que necessitamos uns dos outros e juntos caminhamos para a Fonte, o encontro definitivo com Ele, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação.

 

4- Clausura: em que consiste? Qual o seu sentido?

Clausura significa reclusão, fechamento. Algo que pode assustar à primeira vista. No entanto, no caso da vida contemplativa, clausura é um testemunho do absoluto de Deus, num mundo que muitas vezes se torna cada vez mais indiferente ou até mesmo hostil ao Transcendente. É dizer com a vida que “só Deus basta”, como afirma Santa Teresa de Jesus. Desta forma, a clausura não é alienação nem isolamento, mas é mergulho no Essencial, é despojamento, é deserto, para estarmos livres de muitos entraves que nos distrairiam desta busca incessante de Deus. Busca esta comprometida com a vida, com a realidade da Igreja e do mundo, assumindo em nós as dores e alegrias da humanidade para ofertá-las a Deus numa prece de intercessão. A clausura é materialização de um espaço interior que todo ser humano possui dentro de si, e no qual ele está sozinho diante de Deus.

 

5- Qual o valor da vida contemplativa?

Diria que é o mesmo valor que uma central de energia elétrica, comunicando-se através de uma rede de fios por onde são levadas a força e a luz. Assim é a vida contemplativa na Igreja e no mundo.

O ser humano é intrinsecamente orante, embora possa sufocar – não sem dor existencial – a sua necessidade de estar conectado com Deus. A história, a antropologia, a paleontologia mostram como o ser humano, no decorrer dos séculos, das mais variadas formas, busca por Deus. “Nele está a fonte da Vida.”1 A vida contemplativa é um mergulho em Deus. Um mergulho que todos somos ontologicamente chamados a fazer. Mesmo sem a clausura material. “O Reino de Deus está dentro de vós!”2

1Sl 35,10

2Lc 17,21

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