A Caminho dos Altares

 

 

Serva de Deus

Maria Imaculada da Santíssima Trindade, OCD

Mãezinha

[Carmelo da Sagrada Família]

Pouso Alegre – MG

A Caminho dos Altares

 

1 - POR QUE UM PROCESSO DE CANONIZAÇÃO?

Esta é uma pergunta comum, quando damos início a uma Causa de Canonização. A santidade é um sinal de união com Deus, e todos nós temos necessidade de um intercessor, junto a Ele, papel desempenhado pelos santos. Eles foram criaturas como nós, com funções rotineiras: um religioso, um pai de família, uma mãe... E que, agora, de junto de Deus, ajudam-nos a trilhar o caminho do bem. Souberam ser imitadores de Cristo, com quem vivem em plena união, intercedendo por nós.

Podemos dizer que os santos são – para nós – alavancas de santidade, deixando-nos mais perto de Deus. Irradiam grande luz interior, porque são espelhos da beleza de Cristo!

***

No último 25 de novembro, as Carmelitas Descalças do Carmelo da Sagrada Família, de Pouso Alegre, MG, comemoraram o encerramento (em sua fase diocesana) do PROCESSO DE CANONIZAÇÃO DA SERVA DE DEUS MARIA IMACULADA DA SANTÍSSIMA TRINDADE, que nasceu na cidade mineira de Jacutinga em 08/07/1909, vivendo toda a sua infância em Maria da Fé, vindo a falecer em 20/01/1988.

Como Monja Carmelita Descalça, viveu, seus primeiros anos de vida religiosa, no Carmelo Santa Teresinha, da cidade de Campinas, SP, sendo, então, escolhida – juntamente com outras colaboradoras – para Fundadora do Carmelo da Sagrada Família, em Pouso Alegre, Minas Gerais.

2 - INÍCIO DO PROCESSO DE CANONIZAÇÃO

Como teve início o seu Processo de Canonização? Primeiramente, porque ela buscou, com empenho e fidelidade, viver em tudo a vontade de Deus, de acordo com sua vocação, seguindo os parâmetros da Igreja e dentro do carisma da Ordem Carmelita Descalça. Buscou – com constância – viver sob o olhar de Deus, na intimidade do claustro.

Além de Fundadora principal do Carmelo da Sagrada Família, foi também, por repetidas vezes, eleita Priora (Superiora) do mesmo.

Como Religiosa, buscou a perfeição, dedicando-se, de modo exemplar, à vida de oração e à formação de sua Comunidade carmelitana; sendo modelo e vivendo com perfeição aquilo que ensinava às suas filhas. Compreendeu que a vida divina não está naquilo que sentimos de Deus, mas naquilo que fazemos e damos a Deus.

Inicialmente, os percalços na nova Fundação, em Pouso Alegre, foram muitos. Porém, Madre Maria Imaculada jamais desanimava e apregoava com a vida que – a Deus – não se pode dar nada pela metade: só o mais perfeito é digno d’Ele!

Buscou, assim, viver uma profunda vida de fé, no dom pleno de si mesma a Deus e aos seus desígnios. Isto resume toda a sua vida espiritual.

Em meio às dificuldades, na implantação do novo Carmelo, jamais desanimou, apoiando-se sempre na força divina, com o olhar fixo em Jesus, em Nossa Senhora, na vida dos santos, onde buscava e encontrava força e alento!

Apesar de ser – por temperamento e opção – uma alma escondida, apagadinha, que não buscava chamar a atenção sobre si mesma – Madre Maria Imaculada não passava despercebida aos olhos dos outros, fossem leigos, consagrados e, até mesmo, das Autoridades Eclesiásticas!... Sua santidade de vida atraía as pessoas.

Realmente, o seu empenho na busca do mais perfeito, sua doação total à obra de Deus não passavam despercebidos aos olhos das filhas e daqueles que acorriam, ao Carmelo, em busca de alívio, esclarecimentos e ajuda em situações difíceis e conflitantes... Através de uma breve conversa com ela, no locutório do Carmelo, todos saíam revigorados, esperançosos, confiantes de que a ajuda divina não lhes faltaria!... Bastava um breve diálogo com ela, para se compreender que se tratava de uma alma que havia realmente encontrado Deus em sua vida.

Soube ser uma perfeita Religiosa, adequando sua vida à grandeza do Chamado divino. Sua caridade, sua simplicidade quase desconcertantes, o esquecimento de si não passavam desapercebidos aos olhos daqueles que vinham buscar conselhos junto a ela, nas situações difíceis e conflituosas!...

Também suas filhas Carmelitas, no dia-a-dia, testemunhavam o trabalho da graça divina nessa alma toda de Deus. Muitos vinham ao Carmelo em busca de suas orações e discernimento.

Assim nasceu sua fama de santidade, fundamentada na vivência heroica das virtudes cristãs e religiosas. E esta fama foi-se ampliando cada vez mais, de um modo natural, sem artifícios humanos, até transpor os muros do Carmelo.

Mesmo após sua morte, ocorrida em 20/01/1988, o povo não a esqueceu. Seus devotos vinham sempre, ao locutório do Carmelo, com pedidos de oração escritos em papeizinhos, e solicitavam às Irmãs Carmelitas que colocassem sobre o túmulo da Madre Maria Imaculada, o qual ficava dentro da clausura, onde só as monjas tinham acesso.

As pessoas vinham, também, rezar junto ao muro do Carmelo, perto do cemitério das Irmãs, onde sabiam que a Madre estava enterrada.

Certa vez, uma Carmelita de outro Carmelo, hóspede no Carmelo da Sagrada Família, ao voltar do centro da cidade, admirou-se em ver dois homens de cabeça baixa, em atitude de oração, com uma das mãos posta no muro do Convento. Foi, então, até eles e perguntou: “— Mas o que vocês estão fazendo, aí?!...” E um deles respondeu: “— Irmã, é que do outro lado deste muro, está enterrada uma santa!... Nós estamos rezando, fazendo os nossos pedidos!...”

Nesta ocasião, estava-se iniciando o Processo de Canonização da Madre Maria Imaculada, e esta Irmã – ao ouvir isto da boca destes dois trabalhadores, que aproveitavam o horário de almoço para atravessar a rua e ir rezar junto ao muro do Carmelo, próximo ao cemitério onde a Madre tinha sido enterrada, pensou em seu íntimo: “— Verdadeiramente, aqui está a mão de Deus!... Este Processo de Canonização não nasce de um simples desejo das Carmelitas deste Convento, mas é determinação divina!... Estamos diante de uma experiência de fé, brotada do coração do povo!...”

Madre Maria Imaculada soube viver exclusivamente para Cristo; contemplando-O em todos os mistérios de sua Vida e amando-O com verdadeiro amor esponsal!... 

3 - A TRAJETÓRIA DO PROCESSO DE CANONIZAÇÃO

A santidade de vida – como exige a Igreja Católica Apostólica Romana – tem de ser provada através de um Processo Canônico rigoroso, que implica em vários procedimentos:

1 - A coleta de todos os ESCRITOS do candidato à santidade;
2 - Ouvir Testemunhas que o conheceram e com ele conviveram; e que, por isso mesmo, poderão relatar ao Tribunal, sob juramento, fatos da sua vida, para que se possa avaliar a heroicidade das virtudes cristãs por ele praticadas. Isto é feito através de um Tribunal nomeado especificamente para este fim. Tribunal formado por um Juiz Delegado; um Promotor de Justiça e dois Notários.
3 - Entre outras coisas, este Tribunal deve, também, recolher todos os documentos do candidato à santidade, que possam interessar à instrução do processo de canonização;
4 - Todo este material é, então, enviado ao Vaticano para o devido estudo e pronunciamento da Igreja sobre a santidade de tal pessoa.

Trabalho este que foi feito durante a instrução do Processo de Canonização da Madre Maria Imaculada da Santíssima Trindade.

Enfim, seu Processo de Canonização chegou ao final de sua etapa diocesana, no último sábado, 25 de outubro de 2014, tendo sido devidamente lacrado pelo Tribunal Eclesiástico da Causa, durante a Sessão de Encerramento do Processo. Em seguida, nessa mesma Sessão, foi entregue ao Postulador Geral dos Carmelitas Descalços, o Reverendíssimo Padre Romano Gambalunga, ocd, que o levará a Roma e o entregará à Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, para o devido estudo e pronunciamento da Igreja sobre a santidade e o culto público à Madre Maria Imaculada da Santíssima Trindade.




É possível conhecermos melhor a vida desta insigne monja lendo a sua biografia, intitulada: “Uma vida a Serviço de Deus”, muito bem escrita por uma de suas filhas Carmelitas do Carmelo da Sagrada Família, cuja 2ª edição – revista e ampliada – foi lançada em 25 de outubro deste ano, e que se encontra à disposição do devoto leitor, no Carmelo da Sagrada Família.

Este livro é uma fonte importante para se conhecer, detalhadamente, a história desta mulher que sempre viveu à luz da Fé. E, ainda, conhecer a sua vida espiritual; os seus sentimentos de amor a Deus e à Igreja; a sua busca constante e heroica das virtudes cristãs; o seu espírito de oração e mortificação. Enfim, o seu grande amor à Igreja, ao Carmelo, ao povo, sobretudo, aos mais sofredores e necessitados.

Vale a pena conhecer a vida desta Carmelita sempre confiante na força de Deus e que por Ele se deixou guiar, sem hesitação, pelos caminhos da vida, dizendo: Para o bom Deus, nada pela metade!...”

 

As Irmãs Carmelitas Descalças
Carmelo da Sagrada Família, de Pouso Alegre - MG

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