Relatos de Graça

Graça I - “Graças à Mãezinha, com a sua bênção derramada em mim e sobre meus familiares.”

Eu me chamo Jéssica Silva Lucchesi e tenho 20 anos. Em  2010, estava terminando o terceiro Colegial, preparando-me para as Olimpíadas, as provas da escola e ENEM, e escolhendo a faculdade. Tudo estava muito corrido. Os meus pais estavam se separando, e em brigas constantes.  No mesmo ano, em dezembro, completei dezoito anos e ganhei o curso pago de preparação para motorista , a carta da minha avó paterna. Estava cansada mental e fisicamente. Dormia muito, e sentia muito cansaço.

No dia 14 de fevereiro de 2011, pela parte da manhã, eu passei muito mal. Vomitei o dia todo, e não me alimentava direito; somente conseguia ingerir coisas geladas. Travei da cintura para baixo. Fui para  a Emergência da Santa Casa de Sorocaba, SP, onde eu moro. Internaram-me, pensando que fosse infecção de urina.  Fiquei 5 dias internada na Santa Casa, tomando muito soro, Buscopan, e outras medicações. Foi aí que fiquei sabendo que tinha alergia a Plasil, depois que o tomei, pois estava inchando muito e urinando pouco. Muitos exames foram feitos e não conseguiram descobrir o que eu tinha... Até que apareceu uma médica e pediu um exame dos rins: creatinina e ureia, e então constataram que os meus rins estavam parados.

No hospital em que me encontrava não havia nenhum nefrologista. Tiveram que me dar alta, e os meus pais e minha avó materna ficaram ligando para um nefrologista particular. Ficaram um dia inteiro, até de madrugada, procurando, até que a secretária de um dos médicos nefrologistas retornou a  ligação. Fomos à mesma hora. O consultório estava lotado, e passaram-me na frente de todos. O médico que me atendeu examinou-me, e disse que ele não tinha recursos para me internar, pois o meu caso era muito grave.  No entanto, nem cobrou a consulta, e disse que eu  ia precisar daquele dinheiro. Preencheu documentos para transferência  e internação no Hospital dos Servidores em São Paulo.  Para que isso pudesse ocorrer, tive que internar-me novamente na Santa Casa, para esperar a transferência para São Paulo. 

Durante todos esses acontecimentos, eu estava muito mal, cada vez mais inchada e vomitando muito. Minha mãe sempre ao meu lado, rezando e muito preocupada comigo.

Transferiram-me para o Hospital de São Paulo. Chegando, passei na triagem. Não havia vaga na Nefrologia, e fiquei  na parte de Gastro. Estava dopada de medicação, por tanta dor. Minha mãe, como sempre, protegendo-me e me ajudando. Ela disse que  as pessoas que estavam ao meu lado estavam muito ruins. Fiquei uns dois dias naquele setor, e depois fui para o setor de Nefrologia. Fizeram vários exames físicos e laboratoriais. Em seguida, entraram com medicação. Era picada quase a toda hora, para saber se o meu quadro estava se normalizando. Minha creatinina estava a onze, e para a minha idade, estava muito alta, pois para mulher, deve ficar abaixo de 1 e no máximo 1,5; potássio,  colesterol, ferro, ureia mais de 150, enfim, todos os exames alterados. Houve exames que foram para foram do país, para detectar qual bactéria estava causando tudo isso, pois meu organismo criou uma forma de defesa que caiu na corrente sanguínea, e  atacou os rins.

Além das picadas a toda hora, até de madrugada, tomei remédios via oral, na veia e injeções na barriga, para controlar a anemia profunda em que me encontrava no momento. Não conseguia ficar em pé; dava-me muita náusea, e estava muito inchada. Tive que fazer  5 sessões de hemodiálise para desinchar e diminuir a creatinina; fiz duas biópsias para saber o que tinha ocorrido, mas nenhuma conclusão certa... Minha mãe, como sempre, estava do meu lado, e rezávamos sempre; lembro-me que não deixei de rezar um dia se quer...  Foi um período muito doloroso para mim e para quem estava ao meu lado.

Fiquei internada 30 dias em São Paulo. Tive alta, tendo que tomar medicações muito fortes em casa. Voltava para São Paulo toda semana. Tive que fazer 7 sessões de pulsoterapia para que os rins voltassem a funcionar.  Fiquei em casa durante 7 meses, em repouso absoluto, rezando e sem sair de casa. Era do sofá para cama, sem receber visitas.  Foi um ano muito longo, depois da minha alta, seguindo dietas muito rígidas. Minha mãe ficou esse tempo todo sem trabalhar, para cuidar da minha recuperação. Meu quadro fechou-se em GLOMÉRULO NEFRITE rapidamente progressiva.

Enfim, em fevereiro de 2012, comecei a Faculdade de Direito, muito debilitada. Passava mal com frequência e vomitava, pois as medicações que estava e estou tomando são muito fortes; é um coquetel de medicações. Não fui muito bem em algumas matérias e peguei dependências. Minha anemia só aumentava, e não queria fazer nada; só queria dormir, e cheguei a pensar em fechar a Faculdade e não fazer mais nada...

Foi então que a minha madrinha, muito religiosa, apresentou-me a Mãezinha. Rezei muito, faço muito novenas para ela, e converso com ela quando estou sozinha... Graças a ela, que ouviu as minhas palavras sinceras e ajudou-me em diversos aspectos (tirou meu desânimo, acabou com as minhas angústias, ajudou-me na Faculdade), estou tirando notas ótimas, estou estudando bem melhor e meu médico está tirando as medicações.

Neste mês de outubro de 2013, meu médico tirou duas medições que estava tomando há dois anos e meio, e eram muito fortes. Não estou com depressão, e não sinto aquela soneira; meu convívio com os amigos está melhor. E o mais importante: cada vez que vou ao médico, meus exames estão ficando dentro do padrão, e melhorando o que tem que melhorar, e baixando o que tem que baixar.

Hoje estou terminando o segundo ano, e indo para o terceiro ano da Faculdade de Direito. Vejo o mundo com outros olhos, cada vez com mais alegria e força para vencer os obstáculos da vida e ajudar ao próximo, graças à Mãezinha, com a sua bênção derramada em mim e sobre meus familiares.

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